sábado, 24 de dezembro de 2011

Em vez de correr, ande!

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A necessidade constante de despertar o meu lado adormecido, de mudar em um tempo curto, da sede por felicidade, da fome por novas experiências, na corrida contra o tempo. Esqueci que as coisas correm naturalmente, e deve-se deixa-las.

Quer fazer Deus rir? Faça planos. Ouvi um certo dia esta frase numa novela qualquer. E ela no mesmo instante entrou em minha mente. Apesar de não acreditar muito em destino, a situação de planos totalmente frustrados por acontecimentos que eu nunca poderia prever, acontecem na minha vida de vez em quando.
 Então porque toda essa correria? pergunto-me. Porque correr atrás do tempo perdido tão desesperadamente, como se o passado lhe cobrasse algo, ou até mesmo estivesse lhe apontando uma arma.

Vá com calma, você tem um vida inteira a sua frente. Ande devagar, observe cada detalhe ao seu redor, conheça bem as pessoas que passarão por você, ou as que te acompanharão. A vida é uma rua extensa, cada casa é um objetivo, a cada esquina há outras ruas, que serão suas escolhas, que caminho seguir? Os buracos, a lama, serão seus desafios. Olhe a sua volta, olhe quanta gente! Você não é o único a temer a noite, você não é o único a ter sonhos, a enfrentar o que vem pela frente.

Vá devagar, e você chegará onde quer.

Tumbrl: O que me inspira!

Imagens: Mundos por trás de uma pintura.

                             
                 
                
                
                

Música do post: Louretta - Agnes Obel

Tumbrl: O que me inspira!

sábado, 10 de dezembro de 2011

A velha cadeira de balanço.


Já são 13:00 da tarde, o sol está mais forte do que naquelas tardes de dezembro. Quem me dera se eu soubesse quanto tempo me restava. Ter tido mais lembranças prazerosas de você tomando aquele café à tardezinha, sentado naquela velha cadeira de balanço, vendo a vida passar devagar, todos os dias. Foram anos difíceis, mesmo quando criança, mesmo  sendo escondido de mim a realidade, eu sentia a angústia que lhe transbordava do peito a cada batida do seu coração. A cada tentativa de nos deixar, a cada gole de desespero e solidão, eu sei como é se sentir só mesmo em meio de uma multidão, agora eu sei.

Lembranças vagas, borradas pelo tempo. Hoje ao olhar aquela velha cadeira, se balançando com o vento, me lembrei de você, daquelas tarde em que eu chegava da escola e te via sereno muitas vezes cochilando, eu achava tão engraçado, principalmente quando o acordavam e você levava um grande susto. Mas não naquele dia, 31 de dezembro.  O que será que estava pensando? O que estava acontecendo no seu mundo por trás daqueles seus olhos tristes ?

 Os fogos de artifícil explodindo lá no céu, o clima de festas e gente pra tudo que é lado, adorava aquilo, não? Você estava lá, sentado naquela velha cadeira, dormindo como de vez em quando costumava fazer, mas dessa vez  não vi você se assustar quando fui até você ou qualquer outra coisa.  Porque você simplismente nunca mais acordou.

Querido vovô, espero que você esteja bem onde estiver.
Me desculpe por ter esperado a morte para dizer o que nunca havia lhe dito em vida.
Eu amo você.