segunda-feira, 9 de julho de 2012

Passo em falso.


... Naquele momento dei um passo em falso, e não senti mais o chão sob os meus pés. Nem nada por perto que pudesse servir-me de apoio. Estava caindo no vazio, tudo era apenas segundos que se passavam ao meu redor, arrancando-me a noção do tempo e aumentando a cada metro o meu medo. Eu nunca na minha vida sentira algo tão forte dentro de mim como esse medo do que se aproximava - O que deveria fazer agora? - O tempo corria, e eu precisava fazer algo, era necessário. Sabe se lá onde eu pararia, onde a minha queda me levaria. Todos dizem que sempre que se caí, a força que se esvaí volta ainda maior. E em uma parte eles estavam certo, ela ficara para trás, a minha força. Não conseguia me mexer o que esta havendo? Só pode parecer um pesadelo, é um! Eu posso acordar!


 As nuvens ao meu redor começaram a tampar minha visão, o céu escureceu, era como uma tempestade surgindo do nada. A adrenalina fazia com que meu coração disparasse, ouvia apenas o som de sua batida ensurdecedora, o vento da tempestade que machucava minha pele, e a escuridão que cobria meus olhos. Onde estou agora? A luz retrocedeu e a escuridão deu lugar ao pôr-do-sol ou amanhecer, não conseguia diferenciar.  Consegui perceber apenas um tom de laranja. Os meus olhos secos e minha cabeça que latejava não me deixavam raciocinar direito. Estava caindo levemente como uma pluma no ar, caindo numa imensidão verde, apenas borrões. Eu ia bater em algo... - Despertador tocando às 5:30 - Abri meus olhos secos com dificuldade, olhei ao meu redor sem noção de onde estava e que se estendeu alguns minutos. Meu coração acelerado, meu corpo ofegante, minha cabeça doía. Precisava desligar aquele som ensurdecedor, percorri minhas mãos sobre os lençóis até acha-lo e cala-lo. Segundos olhando para o teto, o rosto morno pelo sol que entrava pelas janelas. Esquecera as cortinas abertas na noite passada e o sol calmo deitara sobre meu rosto ainda sonolento e enxado. Aos poucos a realidade tomava conta dos meus pensamentos, na verdade eles só despertaram, pois sempre estiveram ali, me dizendo o que fazer. Mas meu corpo em súbita rebeldia, continuou ali, na cama, ainda sentindo um sopro da queda, que se estendera a realidade, levando minhas forças e deixando-me apenas um corpo deitado que expulsava qualquer chance da razão fazê-lo sair dali e sobreviver em sua rotina.

Porque essa sensação? ... No fundo eu sabia o porque, mas não queria admitir trazendo tudo de volta. E sobre as minhas forças, elas ainda não voltaram. Acho que é isso, meu corpo as esperando,  assim como tendo mais tempo pra que minha cabeça invente mais mentiras como desculpa.





(Trecho tirado de alguns rascunhos guardados de minha autoria).

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